Ora então vamos lá!
Enquanto um tal Exmo. Professor expressa na rádio as
suas lágrimas, provocadas pela mágoa despertada pela divida pública deste
país de "descobridores" (algo que já é tão natural como a "sua
sede"), começa o dia com uma "bica" no café do costume. Mas este
não é um café qualquer, não! É um estilo de Meca dos (mal)reformados e
subsidiaristas lá da zona.
Interessante este fenómeno, pois tal não é o desconforto
mental de um jovem cidadão quando, no seu momento de despertar matinal com um
belo estimulante servido em chávena escaldada e pires redondo,
ouve uma senhora, ainda em idade de produtividade, acompanhada da sua filha (?)
renegada até pela própria progenitora, refasteladas cada uma na sua mesa, sim
porque ao que parece uma mesa para ambas não satisfaz a necessidade de
descanso, pois há quem já nasça cansado, enche o pulmão de ar e diz do alto do
seu trono de metal escuro e assento de madeira - "Estes gatunos só sabem é
mamar o dinheirinho do povo!". Pois bem, não é que discorde de tal
exclamação, sábia e ponderada. Mas não posso deixar de expressar a minha
critica, pois é verdade que há quem cuspa no prato onde come. E este é um
(claro) exemplo de tal atitude, arrisco até a afirmar que é uma grande
escarreta na panela que lhe dá de sustento. Isto porque pensando bem,
vejamos.
A tal dona passa, as primeiras horas da manha, mais a sua
"monstrinha" a contabilizar os metros cúbicos de CO2
presentes no pequeno espaço comum aos clientes. Bebe o seu café e fica durante
um par de horas a vaguear o olhar entre as paredes e o jornal, que monopoliza
por todo aquele período de tempo, e a professar instigações imperativas sobre o
estado da Nação, atraindo à sua conversa uns quantos que tais homólogos
que vão e vêm em jeito de marés, à espera que o jornal esteja disponível, para
apenas ler "as gordas". Até parece algo normal para quem recebe a sua
reforma, após uma árdua vida de suor e sangue e vê agora a sua retribuição
esculpida com escaladas investidas por parte dos "gordos mandões", mas
não é o caso. Ora como pode alguém, em idade e capacidade física
claramente apta ao trabalho e luta por sustento, que recebe uma pensão, ou
umas quantas, vá se lá saber, reclamar porque o papá Coelho cortou a semanada e
ainda reduziu o montante da mesada em alguns pontos percentuais? Como pode
reclamar de carência económica alguém, que prefere escravizar a sua
"pequena monstra" sugando mais um presumível subsidiozinho,
que esta, a rebenta, recebe mas nem pensa por um segundo, (como poderia pensar
se a sua massa encefálica está sequestrada pela vontade da sua dona?), em
colaborar e lutar pelo seu próprio desenvolvimento educacional e humano para
mais tarde contribuir para uma evolução positiva do
PIB português?
Enfim, este é o quadro de quem do alto do seu intimo se julga
ter o direito a uma vida de desafogo sem para isso mexer um dedo. Que pensa que
a sua qualidade social lhe dá o direito a exigir que o
Estado Português tenha a obrigação de
sustentar incondicionalmente com subsídios quem é carenciado,
sem que estes tenham que contribuir para a construção de uma sociedade mais
objectiva e produtiva tanto social como economicamente.
Dá me vontade de lhe cuspir na cara dizendo - "faz
alguma coisa de útil para a sociedade em vez de te sentares à sombra
do café e mamares o dinheiro dos contribuintes sem justificação aparente,
contribui mais e reclama menos, parasita!"

